Por que a oncoterapia fica mais tolerável.
A luta contra o câncer é desafiadora, e os tratamentos prejudiciais, como a quimioterapia e a imunoterapia, frequentemente causam efeitos colaterais adversos. No entanto, um novo estudo publicado na revista Cancer Cell em fevereiro de 2025 trouxe esperanças ao demonstrar que a exposição de células imunológicas à radiação ultravioleta (UV) pode tornar o tratamento mais suportável sem comprometer sua eficácia.
Estudo e Descobertas
Pesquisadores do Hospital Universitário de Freiburg conduziram um estudo com 14 pacientes dos hospitais universitários de Freiburg, Essen e Regensburg, na Alemanha, diagnosticados com diferentes tipos de câncer, incluindo melanoma, câncer de pulmão e câncer de tireoide. Todos os participantes desenvolveram inflamações graves, como colite (inflamação intestinal), hepatite (inflamação do fígado) e dermatite (inflamação da pele), devido ao tratamento oncológico.
Após a exposição à luz ultravioleta, os pacientes que sofreram de colite foram completamente curados, e 92% afirmaram uma redução significativa nos sintomas inflamatórios. O líder da pesquisa, Robert Zeiser, chefe do Departamento de Imunologia de Tumores do Centro Médico da Universidade de Freiburg, destacou a importância do estudo ao afirmar que "a alta taxa de resposta e a ausência de efeitos colaterais relevantes são notáveis".
Como Funciona a Terapia com Luz UV?
A técnica utilizada é conhecida como fotoferese extracorporal (ECP, na sigla em inglês) . No tratamento convencional com imunoterapia, os anticorpos atacam as células cancerígenas, mas também podem atingir células saudáveis, causando inflamações graves. Com a ECP, o sangue do paciente é retirado e suas células imunológicas são irradiadas com luz UV antes de serem reintroduzidas na corrente sanguínea, em um processo semelhante ao da hemodiálise.
Essa exposição à radiação ultravioleta "apazigua" o sistema imunológico, reduzida as inflamações sem comprometer a ação dos anticorpos contra o tumor. Esse efeito é mediado pela adiponectina, uma molécula antes conhecida apenas pelo seu papel na regulação do metabolismo da gordura.
Perspectivas Futuras para o Tratamento
O estudo ainda está em estágio inicial (fase 1b/2), sem que a segurança e a eficácia do tratamento sejam avaliadas em um pequeno grupo de pacientes. Os próximos passos envolvem a realização de estudos em larga escala, com mais participantes e um desenho experimental mais específico.
A equipe de pesquisa acredita que essa abordagem poderá tornar a imunoterapia mais segura e acessível a um número maior de pacientes. Além disso, a fotoferese extracorpórea já está sendo utilizada no tratamento de rejeições em transplantes, reduzindo as respostas inflamatórias contra órgãos transplantados, especialmente no Reino Unido.
Se os estudos futuros confirmarem os resultados promissores, a radiação ultravioleta poderá se tornar uma ferramenta valiosa para mitigar os efeitos adversos dos tratamentos contra o câncer, tornando a jornada dos pacientes menos árdua.
Fontes:
câncer, radiação ultravioleta, imunoterapia, quimioterapia, efeitos colaterais, pesquisa médica, fotoferese extracorporal, oncologia.


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