A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre a execução de Vinicius Gritzbach, ocorrida em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Gritzbach, que havia delatado policiais civis e membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi assassinado a tiros de fuzil ao desembarcar de uma viagem. A PF prendeu, em dezembro, o delegado Fábio Baena e quatro policiais civis sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e envolvimento com o crime organizado.
Marcelo Marques de Souza, um dos presos no caso que investiga morte de Vinicius Gritzbach — Foto: Reprodução/FantásticoEm depoimentos, os policiais presos descreveram Gritzbach de forma negativa. O investigador Marcelo Marques de Souza, conhecido como Bombom, afirmou: "Nunca conheci o Vinicius, nunca tive acesso ao Vinicius. O Vinicius sempre foi um cara mauricinho lá no bairro, ele não dava bola para qualquer pessoa". Apesar de seu salário de R$ 12 mil, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas de R$ 34 milhões, entre 2017 e 2022, na conta de um possível laranja associado a ele. Durante buscas, foram encontrados cerca de R$ 680 mil sob a cama de Bombom, que alegou que parte do dinheiro pertencia a um amigo empresário e outra parte à sua sogra.
O investigador Eduardo Monteiro, considerado braço direito do delegado Baena, também com salário de R$ 12 mil, foi questionado sobre a posse de um carro de luxo. Ele afirmou que o veículo está registrado em nome de sua esposa. Monteiro negou as acusações de Gritzbach, que o havia descrito como "criminoso articulado, mentiroso e psicopata". Em conversas interceptadas, Gritzbach demonstrava intimidade com Monteiro, referindo-se a ele como "Du".
Rogério de Almeida Felício, um dos presos no caso que investiga morte de Vinicius Gritzbach — Foto: Reprodução/FantásticoO delegado Fábio Baena foi acusado por Gritzbach de solicitar R$ 30 milhões para livrá-lo de uma investigação por homicídio. Baena negou a acusação e afirmou que foi ameaçado por Gritzbach, temendo por sua segurança e de sua família. Ele declarou: "Tenho que confessar que eu caí numa armadilha, doutor, mas eu fui ameaçado pelo Vinicius. Eu tinha muita preocupação. Minha família estava andando de carro blindado justamente por causa disso. Ele roubou o PCC, mandou matar o PCC. O que ele faria comigo?".
Até o momento, a Polícia Civil prendeu 26 pessoas suspeitas de envolvimento no caso Gritzbach, incluindo 22 policiais. Entre os detidos estão o cabo Denis Martins e o soldado Juan Silva Rodrigues, apontados como os atiradores, e o tenente Fernando Genauro, identificado como o motorista dos assassinos.
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