Além do Everest Outras montanhas que ainda estão crescendo.

  Everest em ascensão a surpreendente verdade sobre o crescimento da montanha mais alta do mundo.

O artigo foi escrito pelo professor de Cristalografia e Mineralogia Carlos M. Pina, da Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, e publicado na plataforma The Conversation Brasil.

O crescimento do Monte Everest e de outras montanhas ocorre porque são compostas, principalmente, por granitos, gnaisses e rochas sedimentares, materiais mais leves do que o manto terrestre, sobre o qual repousam.

Por outro lado, o manto terrestre, cuja composição é semelhante ao basalto, possui um comportamento plástico. Isso significa que pode se deformar sem fraturar quando submetido a altos níveis de estresse, devido às elevadas temperaturas e pressões internas do planeta. Esse fenômeno permite que os continentes flutuem, de acordo com o princípio de Arquimedes, influenciando a elevação e a movimentação das cadeias montanhosas ao longo do tempo.

A península escandinava se eleva

As diferentes massas da crosta terrestre flutuam sobre o manto subjacente em um equilíbrio conhecido como isostasia. Esse fenômeno pode ser observado na Península Escandinava, onde a terra continua a se elevar após o derretimento da camada de gelo que a cobriu durante a última Era Glacial.

Evidências desse processo podem ser confirmadas por medições geofísicas, que indicam que a Península Escandinava está subindo a uma taxa de aproximadamente 1 cm por ano. Esse mesmo movimento vertical é registrado em outras regiões que também foram cobertas por grandes camadas de gelo, como a Sibéria, a América do Norte e a Patagônia. Essas áreas continuam se elevando devido ao alívio do peso do gelo, um fenômeno que teve início há cerca de 11 mil anos, quando a última era glacial chegou ao fim.

Para saber mais sobre o fenômeno da isostasia, acesse este artigo sobre geofísica e descubra mais detalhes sobre as mudanças na crosta terrestre.

Erosão que eleva o Everest

A elevação isostática ou rebote isostático não ocorre apenas em regiões onde o peso do gelo glacial foi removido. A erosão também desempenha um papel fundamental nesse processo, reduzindo a massa de determinadas áreas e resultando na elevação significativa de algumas cadeias montanhosas.

Esse fenômeno pode ser observado nas montanhas mais altas do mundo, como o Everest, o Lhotse e o Makalu, que ocupam, respectivamente, a primeira, quarta e quinta posições no ranking das montanhas mais altas do planeta. Estudos geofísicos indicam que essas formações continuam a se elevar devido a processos naturais que envolvem tanto a erosão quanto o ajuste isostático da crosta terrestre.

Saiba mais sobre esse fenômeno em este artigo sobre elevação isostática e entenda como as montanhas mais altas da Terra continuam crescendo.

"Em um tempo distante, em terras asiáticas..."

Tudo começou há quase 90 mil anos, quando o Rio Arun — um afluente do Kosi — mudou seu curso. Esse evento geológico provocou um grande aumento da erosão ao redor do Everest e das montanhas próximas.

À medida que os sedimentos gerados pela erosão na bacia ampliada do Rio Kosi eram transportados para o mar, a massa da região do Himalaia, onde o Everest está localizado, começou a diminuir mais rapidamente do que em outras partes dessa imensa cadeia de montanhas. Embora o Himalaia como um todo esteja sofrendo erosão, essa redução de massa foi mais intensa na área do Everest.

Como consequência, o impulso isostático sob o Everest e seus arredores há muito tempo é maior do que no restante do Himalaia. Isso faz com que o colosso rochoso e suas montanhas vizinhas estejam se elevando mais rápido do que outras formações mais distantes da bacia do Rio Kosi.

Um artigo recente de Xu Han e seus colegas apresenta medições topográficas detalhadas e um modelo do funcionamento da bacia do Rio Kosi, indicando que uma combinação de erosão e ajuste isostático contribui para a elevação do Everest. No entanto, há quase um século sabemos que cadeias de montanhas como o Himalaia, os Alpes e os Andes não se elevam apenas devido a movimentos isostáticos, mas principalmente devido a forças geológicas muito mais poderosas.

O encontro entre gigantes da crosta terrestre.

O processo orogênico é determinado pela interação das placas tectônicas, que são enormes blocos de rocha que flutuam sobre o manto terrestre. Essas placas se movem lentamente, devido às correntes de convecção no manto, o que gera uma pressão constante nas zonas de convergência. Quando duas placas tectônicas colidem, duas situações podem ocorrer:

1 Placas de Densidade Diferente: Quando uma placa é mais densa do que a outra, a placa mais densa tende a afundar, formando uma zona de subducção. Este processo pode resultar na formação de cadeias montanhosas ao longo das bordas das placas.

Placas de Densidade Similar: Quando as placas possuem densidades semelhantes, elas se empurram uma contra a outra, provocando a elevação da crosta terrestre e formando montanhas. Isso é o que ocorre, por exemplo, nas grandes cadeias montanhosas do Himalaia, onde a colisão das placas tectônicas da Índia e da Ásia resultou em uma contínua elevação do terreno.

O Papel das Correntes de Convecção

As placas tectônicas não são estáticas; elas flutuam sobre o manto da Terra devido às correntes de convecção que movem o material derretido dentro delas. Essas correntes geram forças que empurram as placas em diferentes direções, promovendo tanto o afastamento quanto a colisão entre as mesmas. Esse movimento constante é o que permite que a orogênese ocorra ao longo de milhões de anos, dando origem às montanhas que conhecemos hoje.

A Escala Temporal das Orogêneses

As orogêneses são processos extremamente lentos, e uma única orogênese pode durar cerca de 100 milhões de anos. As montanhas formadas por esses processos estão em constante transformação devido a fatores como erosão, vulcanismo e movimentos tectônicos contínuos. No entanto, a elevação da crosta nas zonas de convergência é o principal motor dessas gigantescas formações rochosas.

Conclusão

Em suma, a orogenia é um processo geológico fundamental para a formação das montanhas e o estudo das interações entre as placas tectônicas nos ajuda a entender melhor a dinâmica da crosta terrestre e a formação do relevo planetário. Embora as orogêneses aconteçam em escalas de tempo extremamente longas, o impacto delas na geografia da Terra é imensurável, pois é através delas que surgem algumas das maiores cadeias montanhosas, como os Andes, o Himalaia e as Montanhas Rochosas.

Fontes:

 Everest, montanhas, crescimento geológico, placas tectônicas, geofísica, manto terrestre, The Conversation, Universidad Complutense de Madrid, ciência, geologia.

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